sábado, 9 de agosto de 2008

Pelamordedeus medeixelivre prapensar!

Um dos melhores livros que li ultimanente foi Vale Tudo - O Som e a Fúria de Tim Maia, muito bem escrito por Nelson Motta. Uma leitura gostosa que detonei em duas - lá ele - sentadas. Literalmente comi o livro. São histórias de uma personalidade ímpar e de um talento musical raro.

Aprendi a gostar de Tim Maia desde pequeno. Lembro que meu pai ouvia mais os clássicos tipo Do Leme ao Pontal, Domingo ou Gostava Tanto de Você. Mas foi um grande amigo meu que me apresentou o verdadeiro Tim. Seu primeiro disco é de uma qualidade excepcional. Uma voz limpa e rasgada, bem diferente do que era mais pro fim da carreira. Levei um tempo para identificar que era ele. Tem músicas sensacionais como Cristina (minha favorita) e Coroné Antonio Bento. Outro bom amigo me deu um CD compilado com 28 músicas, entitulado por ele como "As melhores e menos conhecidas do Tim". Coisa rara, trata-se de música da fase Racional, onde Tim entrou numa viagem exotérica que o deixou careta por um tempo, mas com uma producào musica muito boa, embora pouco difundida (saiba mais). Mas não sou crítico de música, apenas um apreciador, então o foco quero dar é outro.

É sobre seu estilo de ser. Numa de suas canções ele começa dizendo "Pelo amor de Deus, me deixe livre pra pensar". Fico imaginando alguma mulher muito chata enchendo o saco dele com coisas idiotas. E aí pensei em escrever algo sobre isso. Precisamos de tempo pra pensar. E nem sempre os outros respeitam isso. Ou nem mesmo a gente percebe isso.

Tim Maia foi mesmo peculiar. Abriu sua própria produtora (A Seroma, de Sebastião Rodrigues Maia, seu verdadeiro nome), a qual administrava do seu jeito e pagava aos seus "fornecedores" como quando e como queria. Viveu intensamente música, mulheres e drogas. E dizia coisas como "Não quero dinheiro, eu só quero amar" ou "Ora bolas, não me amola com esse papo de emprego. Não tá vendo? Não tô nessa, o que eu quero é sossego" ou ainda "Yes I loved. More than I supposed to love" (Sim, amei mais do que supunha amar).

Às vezes precisamos mesmo de um tempo. Nesse mundo de hoje em dia às vezes vamos vivendo e não paramos pra pensar realmente no que queremos e nos rumos que estamos dando a nossas vidas. Também não precisamos seguir literalmente a filosofia Lobão "é melhor viver 10 anos a 1000 do que mil anos a 10", mas bem que podemos viver uns 80 anos a 100! Dê-se de presente seu tempo e procure ver se o seu rumo é o que você queria.

"Vou me embora agora pra longe, meu caminho é ida sem volta, minha estrela amiga me guia, me asa presa se solta.". Vá ver sua Cristina, seja ela quem (ou o que) for.

Um comentário:

En-cruz-ilhada disse...

È com muita honra que sou o 1º a comentar esse post sobre o adorado Tim. Fiquei feliz de nesse dia dos "Pais" receber finalmente o endereço do seu blog. fiquei feliz vendo seu esforço de escrever, poesias?.Muito contente, próximo post ditado desde já: On The Road? Parabens, meu caro pela iniciativa!