sábado, 16 de agosto de 2008

Trajetória

Nascimento:
Choro
Xixi
Mamadeira

Infância:
Choro
Escolinha
Escorradeira

Adolescência:
Choro
Namoro
Doideira

Maturidade:
Choro
Trabalho
Idade

Velhice:
Choro
Lembrança
Saudade

Morte:
Choro
Renascimento
Eternidade

sábado, 9 de agosto de 2008

Pelamordedeus medeixelivre prapensar!

Um dos melhores livros que li ultimanente foi Vale Tudo - O Som e a Fúria de Tim Maia, muito bem escrito por Nelson Motta. Uma leitura gostosa que detonei em duas - lá ele - sentadas. Literalmente comi o livro. São histórias de uma personalidade ímpar e de um talento musical raro.

Aprendi a gostar de Tim Maia desde pequeno. Lembro que meu pai ouvia mais os clássicos tipo Do Leme ao Pontal, Domingo ou Gostava Tanto de Você. Mas foi um grande amigo meu que me apresentou o verdadeiro Tim. Seu primeiro disco é de uma qualidade excepcional. Uma voz limpa e rasgada, bem diferente do que era mais pro fim da carreira. Levei um tempo para identificar que era ele. Tem músicas sensacionais como Cristina (minha favorita) e Coroné Antonio Bento. Outro bom amigo me deu um CD compilado com 28 músicas, entitulado por ele como "As melhores e menos conhecidas do Tim". Coisa rara, trata-se de música da fase Racional, onde Tim entrou numa viagem exotérica que o deixou careta por um tempo, mas com uma producào musica muito boa, embora pouco difundida (saiba mais). Mas não sou crítico de música, apenas um apreciador, então o foco quero dar é outro.

É sobre seu estilo de ser. Numa de suas canções ele começa dizendo "Pelo amor de Deus, me deixe livre pra pensar". Fico imaginando alguma mulher muito chata enchendo o saco dele com coisas idiotas. E aí pensei em escrever algo sobre isso. Precisamos de tempo pra pensar. E nem sempre os outros respeitam isso. Ou nem mesmo a gente percebe isso.

Tim Maia foi mesmo peculiar. Abriu sua própria produtora (A Seroma, de Sebastião Rodrigues Maia, seu verdadeiro nome), a qual administrava do seu jeito e pagava aos seus "fornecedores" como quando e como queria. Viveu intensamente música, mulheres e drogas. E dizia coisas como "Não quero dinheiro, eu só quero amar" ou "Ora bolas, não me amola com esse papo de emprego. Não tá vendo? Não tô nessa, o que eu quero é sossego" ou ainda "Yes I loved. More than I supposed to love" (Sim, amei mais do que supunha amar).

Às vezes precisamos mesmo de um tempo. Nesse mundo de hoje em dia às vezes vamos vivendo e não paramos pra pensar realmente no que queremos e nos rumos que estamos dando a nossas vidas. Também não precisamos seguir literalmente a filosofia Lobão "é melhor viver 10 anos a 1000 do que mil anos a 10", mas bem que podemos viver uns 80 anos a 100! Dê-se de presente seu tempo e procure ver se o seu rumo é o que você queria.

"Vou me embora agora pra longe, meu caminho é ida sem volta, minha estrela amiga me guia, me asa presa se solta.". Vá ver sua Cristina, seja ela quem (ou o que) for.

domingo, 3 de agosto de 2008

EmocionalMente

Saudade
Tô com vontade
De correr para seus braços
Imediatamente

Jogar o orgulho de lado
Deixar de ser tudo
Tão calculado
Arriscar novamente

Mas meu problema
É a porra da mente
Que insiste em funcionar
Mesmo quando quero
Que ela fique dormente

Será que um dia
A emoção me domina
Completamente?

terça-feira, 22 de julho de 2008

Palavras

O livro A Menina que Roubava Livros (The Book Thief, em inglês), que acabo de terminar, merece realmente ser lido. Nas 3 primeiras páginas eu não estava entendendo nada, até que notei na contra-capa que a história é contada pela Morte, com uma escrita muito interessante e peculiar. Tive que começar tudo de novo e aí fui tomando gosto. Contrariamente ao que possa parecer, não tem nada de mórbido. Tendo como pano de fundo a 2a Guerra Mundial, e todo o sofrimento por ela causado, o autor fala, acima de tudo, do poder da palavra. A menina protagonista, que passa por alguns infortúnios, vai se apegando cada vez mais aos livros. Sem condição de comprá-los, encontra/provoca situações que lhe permitem roubá-los. O próprio Hitler é um (péssimo) exemplo de alguém que mudou o mundo (isso ninguém pode negar) através das palavras. Veja um trecho do livro:

Sim, o Füher decidiu que dominaria o mundo com palavras. "Jamais dispararei uma arma", concebeu. Não precisarei fazê-lo. Mesmo assim não se precipitou. Reconheçamos nele ao menos isso. Ele não tinha nada de burro. Seu primeiro plano de ataque foi plantar as palavras em tantas áreas da sua terra natal quantas fosse possível. Plantou-as dia e noite, e as cultivou.
Observou-as crescer, até que grandes florestas de palavras acabaram crescendo por toda a Alemanha. Era uma nação de pensamentos cultivados.

Fica a sugestão de leitura, mas esse post é mesmo sobre palavras.

No mundo de hoje, cercados de tecnologia, fico meio preocupado com as futuras gerações. Além de TV e DVD, MSNs, e-mails, celulares, Orkuts e YouTubes da vida, será que as pessoas investirão (essa é o termo mais apropriado) tempo para ler um bom livro? E a escrita? Adeus à acentuação, gramática, concordância, .... Viva os Emoticons e o "internetês". Ler e escrever bem faz diferença (quantas "pedradas" você vê no seu dia a dia, vinda de pessoas supostamente "cultas" e bem-educadas?). Muita gente não passa em concursos públicos por causa de deficiência em Português (pior é que as provas agora nem tem mais Redação!). A transferência de conhecimento e cultura ainda se dá muito pela palavra falada e, principalmente, escrita.

Que exemplos estamos dando a nossos filhos?
Estamos estimulando neles o hábito da leitura? Que tipos de pessoas/profissionais estamos ajudando a formar?

Vou ficando por aqui, ressaltando este belo exemplo de como nunca é tarde para dar valor às palavras: Uma colega auditora da Receita Federal do Brasil, ainda na ativa, começou a escrever poesias aos 80 anos de idade e está prestes a publicar um livro. Conversamos um pouco há alguns meses (tive o prazer de ouvir algumas de suas poesias) e escrevi isto em homenagem a ela:

Feliz Regina

Meu filho
De três anos
Já se interessa
Pela Escrita

Nem sabe ainda
O quanto as letras
Juntas
Ficam bonitas

Eu
Aos dezoito
Num rompante
Criativo

Fui soltando
O meu verbo
E vou sentindo
Que estou vivo

Minha amiga
Aos oitenta
Atacou
De poetisa

Escrevendo...

Sobre a lua
Sobre o vento
E os amores
Desta vida

Nos miremos
Neste exemplo
E na luz
Desta menina

O papel
É o seu palco
Claire
Feliz
Regina

domingo, 20 de julho de 2008

Tempo

Amigo
Ou inimigo
Carrasco
Ou aliado
O certo
É que o Tempo
Passa tão rápido
Que não dá Tempo
De perceber
Que o Futuro
Já é Presente
E que o Presente
Já é Passado

quarta-feira, 9 de julho de 2008

O Tamanho da Corda

A metáfora da corda é usada em várias situações, mais comumente na família e no trabalho. Pais/chefes mais rigorosos/controladores mantém os filhos/empregados "na corda curta e esticada" o tempo todo, enquanto os mais permissivos tendem a mantê-la mais longa e frouxa. Como tudo na vida, existem prós e contras em ambas as abordagens. Então, fica sempre a dúvida, qual o tamanho ideal da corda? Resposta óbvia: depende. Da circunstância, do nível de confiança, dos riscos envolvidos, do prazo, das consequencias, do tipo de atividade, enfim, de uma série de fatores que devem ser analisados caso a caso. Usando o contexto do ambiente de trabalho, mais focando nos perfis gerenciais, vamos pensar um pouco sobre o assunto.

Tem gerente que acredita (esse prefiro chamar de chefe) que as coisas só acontecem porque ele fica o tempo todo "em cima", cobrando seus subordinados. Ele se acha insubstituível e fica feliz de ver todo mundo recorrendo a ele. Se sente importante. Seu telefone não para de tocar nem nas férias. Ele centraliza tudo, portanto mais ninguém na equipe tem a informação completa. Todos dependem dele. Esse é do tipo corda curta, que tem dificuldades de delegar e confiar nas pessoas, muitas vezes porque é extremamente perfeccionista. Essa equipe até produzirá resultados, mas terá pouco espaço para criatividade e inovação, pois não possui autonomia.

O outro lado da moeda é o gerente tipo laissez faire, laissez passer (deixai fazer, deixai passar). Ele dá pouco direcionamento, delega muito e cobra pouco. Tem dificuldades de dizer não e prefere evitar os conflitos. O corda frouxa pode ser útil numa equipe altamente competente e coesa, onde se tem maior auto-gestão do tempo. O efeito colateral é deixar as pessoas desorientadas, sem saber muito onde estão e pra onde vão. Os mais "descansados" podem se aproveitar dessa liberdade e "abusar" da confiança. Isso pode fazer com que os mais comprometidos se sobrecarreguem, e comecem a ficar insatisfeitos, aí os problemas vão aparecendo.

Acredito que no fundo cada um de nós tem uma tendência a um dos extremos, mas acho que o equilíbrio é a melhor escolha. Existe um tamanho de corda certo para cada membro do time, em cada momento. Tem gente que precisa muito de ordem e direção: Para eles, corda curta no início, soltando à medida que ganham auto-confiança e segurança naquilo que estão fazendo. Outros detestam controles excessivos, pois são muito dinâmicos e inovadores: Corda mais longa e solta, mas de vez em quando uns puxões para não perder o controle. Em fases iniciais de projetos complexos, com foco maior em planejamento, corda curta para que todos se envolvam no pensar como fazer. Na fase de execução, solta a corda mais um pouco, para dividir responsabilidades e desonerar o líder, que manterá o controle através dos acompanhamentos periódicos.

Longe de querer propor uma "receita de bolo", o recado aqui é devemos monitorar constantemente qual o tamanho da corda necessário para cada pessoa/situação. É como se fôssemos um polvo, com N tentáculos feitos de um elástico especial com alta resistência e poder de elasticidade (ora cabo de aço, ora corda de bungee jump). Cada pessoa é única, então devemos tratá-las todas com justiça, mas não de forma igual. Dá trabalho, mas é recompensador quando sentimos os reflexos positivos na motivação da cada um.

sábado, 5 de julho de 2008

Crazy

Não consigo
Escrever
O que penso

Não consigo
Dizer
O que sinto

Não consigo
Pensar
O que digo

Não consigo
Sentir
O que escrevo

Não consigo
Pensar no que escrevo
Nem sentir o que digo

Melhor não
Escrever
Nem Sentir
Nem Dizer
Nem Pensar

Melhor eu ir me deitar....